"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce."

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Carpe Diem

Quantas vezes os tenho ouvido dizer a mesma frase que simboliza todo o absurdo, todo o nada, toda a insciência falada das suas vidas. É aquela frase que usam de qualquer prazer material: "O que a gente leva dessa vida?"
Leva onde? Leva para onde? Leva para quê? Seria triste despertá-los da sombra com uma pergunta como esta…
Fala assim um materialista, porque todo o homem que fala assim é, ainda que subconscientemente, materialista. O que é que ele pensa levar da vida, e de que maneira? Para onde leva as costoletas de porco e o vinho tinto e a rapariga casual? Para que céu em que não crê? Para que terra para onde não leva senão a podridão que toda a sua vida foi de latente?
Não conheço frase mais trágica nem mais plenamente reveladora da humanidade humana.
Fernando Pessoa



Carpe Diem!

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